terça-feira, 31 de julho de 2007

SEGUNDA CHANCE

Christina Fontenelle
Julho de 2007

Trezentos e Cinqüenta e Três (353) mortos ainda não são motivo suficiente para trocar a diretoria não especializada em assuntos aeroportuários da Anac. Governo acha que os diretores da agência merecem uma segunda chance. Quanto aos mortos e seus familiares, a estes não foi dada nem a primeira - quanto mais uma segunda oportunidade. Na Infraero, a situação é diferente: "brigadeiros" podem perfeitamente ser substituídos por "paçoquinhas" - doces mais apropriados ao apreço do Planalto pelas tradicionais festividades juninas.

Segundo o próprio presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, ao comentar sobre sua saída do órgão: "Tudo o que entra sai - tudo o que sobre desce". Realmente. E só para completar: tudo que é comprado com muita facilidade e por preço muito baixo é descartável. Assim foi com ele e assim será com todos aqueles que tiverem tido a ilusão de que círculos fechados de gente com profundas raízes ideológicas são penetráveis, especialmente por aqueles que se vergam ao oportunismo. Não são. Grupos assim costumam, inclusive, ter mais consideração com inimigos declarados - desde que não os ameacem efetivamente, é claro.

Ao contrário do que se veiculava na mídia na semana passada, o presidente da Anac, Milton Zuanazzi, disse que não renunciará ao cargo e que não existe nenhuma cogitação de um pedido de demissão coletiva da agência. Eles têm o apoio do Planalto. O presidente Lula disse a seus ministros, durante a reunião de coordenação política nesta segunda-feira, que não há intenção do governo de pedir que o comando da Anac renuncie.

O governo decidiu aguardar mais um pouco para ver como é que a Anac vai proceder nessa fase de implementação das medidas determinadas pelo Conselho de Aviação Civil (Conac), sob a batuta do novo ministro da defesa, Nelson Jobim. Por outro lado, uma ação apresentada pelo presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), pediu a impugnação de toda a diretoria da agência. O juiz Guilherme Couto de Bastos, da 19ª Vara Federal do Rio, pretende ouvir os diretores da Anac para comprovar se eles detêm os conhecimentos exigidos para exercer as funções que desempenham na agência, antes de se pronuciar sobre a possibilidade de impugná-los.

Então é isso. Vamos todos ter paciência e esperar que um piloto da FAB, cercado por um sociólogo, um economista, um político e uma advogada resolvam os problemas do setor de aviação civil, sob o comando de um bacharel em Direito e político que é ministro da defesa (isso mesmo: aquele que comanda as Forças Armadas. Como todos estão cansados de saber, advogados e militares têm carreiras, interesses e práticas profissionaispraticamente simbióticas). Não podemos esquecer, é claro, do especialista em pepinos que deverá assumir a presidência da Infraero. A especialidade foi recomendada pelo brigadeiro que deixa o cargo, em esmiuçada dissertação sobre tal legume numa dessas declarações que costuma dar à imprensa.

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Banco Safra de Luiz Inácio no esquema da INFRAERO

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Do Observatório de Inteligência
Por Orion Alencastro
31 de julho de 2007

O governo cínico de Luiz Inácio da Silva, atual Presidente da República, possuidor de um escritório particular no Banco Safra, na Av. Paulista em São Paulo, para encontros de negociatas envolvendo o interesse nacional no mercado negro e seus interesses particulares, tinha intenção de colocar na presidência da Infraero o economista Rossano Maranhão, amigo do peito do ex-presidente José Sarney, ex-proprietário do Banco Santos.

O mais significativo do fato, por coincidência e ironia no jogo dos poderosos, é que Maranhão é simplesmente diretor do poderoso e global Banco Safra.

Enquanto o Ministério da Aeronáutica administrou a navegação aérea civil pelo antigo e valoroso DAC, gerenciou a construção de aeroportos e criou a Infraero, nunca houve reclamações e acidentes que marcassem a história aero-espacial do Brasil, como nos últimos anos, com perdas preciosas de inúmeras vidas, motivo de consternação para a sociedade e revolta contra o desgoverno que se alastra pelo pais.

Com a criação do trambolho Ministério da Defesa e o afastamento dos cumpridores do dever e da ordem - militares – nas decisões geoestratégicas e de efetiva segurança do Estado, a Infraero foi desvirtuada e solapada na administração, desfalcada e viciada em licitações, agravada no ambiente interno com o aparelhamento promovido pelo governo petista.

Banqueiros querem a Infraero

O que se arma, depois da tática da desmoralização de uma empresa ou função pública, é a manobra sórdida da privatização, principalmente de infra-estruturas que oferecem lucros líquidos e certos. Assim sendo, por de trás da questão aeroportuária encontra-se a farsa de um ensaio de motivações para a sua privatização.

O cenário prospectivo atenderia altos interesses de banqueiros associados a poderosos empreiteiros. No momento, a cunha seria via Banco Safra pelas intimidades institucionais e dos interesses particulares envolvendo o Exmo. Sr. Presidente da República, o grande e enrustido vendilhão da Pátria, hoje com o semblante transfigurado pelas vaias do Pan e com dificuldades em segurar a máscara que escorre pelo rosto.

Maranhão, missões silenciosas no SAFRA

O sr. Maranhão, ex-Presidente do Banco do Brasil, conhecedor da máfia financeira internacional, até o momento, se recusa a atender a convocação para o comando da Infraero. Apesar de alegar vários motivos, o seu embaraço maior seria o risco de conhecimento da existência do comprometedor escritório do sr. Luiz Inácio da Silva, na sede do Banco das negociatas sujas do Chefe da Nação, que o remunera regiamente para cumprir missões silenciosas.

Nem direita, nem esquerda. Em frente!

Do site Brasil Acima de Tudo:http://brasilacimadetudo.lpchat.com/

Do Observatório de Inteligência

Por Hermes Arroyo D'Aguiar
31 de julho de 2007

Luiz Inácio da Silva está prestes a sujar o seu legítimo Armani dada a avalanche de adversidades que se apresentam a sua frente, nas últimas semanas. As manifestações explícitas de insatisfação e indignação em relação ao governo federal, ainda pontuais, já se constituem em ameaça concreta ao Chefe da Nação e à camarilha que ocupa o Palácio do Planalto.

O Movimento Contra a Impunidade e a Corrupção, lançado pela OAB-RS, as vaias efusivas no Maracanã na abertura e no encerramento dos Jogos Pan-Americanos, as vaias recebidas em sua viagem ao Nordeste, na tentativa frustrada de resgatar a auto-estima e exercitar sua teomania, e a iniciativa da OAB-SP e entidades civis com o movimento "Cansei" apresentam-se como os principais motivos da inquietação no Planalto.

A passeata realizada em solidariedade aos amigos e parentes das vítimas dos acidentes da Gol e da TAM ocorrida no último dia 29, em especial, está causando sensível preocupação entre os homens do presidente, para não falar do próprio. A mídia vendida omitiu os acontecimentos marcantes da manifestação. Não foram 3, nem 5 e nem 6 mil os paulistas que enfrentaram o frio e a manhã chuvosa do domingo em São Paulo para ir às ruas. Fontes confiáveis asseguram: havia 40 mil pessoas caminhando até o local da tragédia! Quem compareceu, certamente ouviu os gritos "Fora Lula" e "Fora Marta" em alto e bom tom! Não é a toa que o belíssimo e fino Armani corre sério risco de ser "batizado".

Jeito PT de ser e fazer

O medo no Planalto é tão visível que corre pela internet a notícia de que o PT está se organizando para tentar intimidar e coibir quaisquer manifestações populares que venham a engrossar as animosidades já existentes contra o governo de Luiz Inácio da Silva: "na opinião de aliados petistas do presidente, é preciso esboçar algum tipo de reação antes que esses movimentos, ainda que pequenos, comecem a se multiplicar, aproveitando uma oportunidade aqui, outra ali. Daí a idéia de o PT dar uma demonstração de força diante do "Fora Lula", um movimento com viés golpista."

Ora, ora, ora... quem conhece a história do Brasil sabe muito bem que quem deu o golpe fatal na sociedade brasileira foram estes senhores e senhoras que se instalaram no Palácio do Planalto. Os ex-guerrilheiros terroristas é que tomaram o poder. Quem são, na verdade, Marco Aurélio Garcia, Franklin Martins, José Dirceu, José Genoíno, Dilma Roussef, Eduardo Greenhalgh, Antonio Palocci, Bruno Maranhão e o próprio Luiz Inácio da Silva, senão os verdadeiros criminosos da Pátria, aqueles que desejavam e desejam fazer do Brasil, uma sucursal da extinta URSS?

Uma vez mais, o PT se utiliza da inversão de valores para tentar justificar suas ações delituosas. Acuado, a única saída é atacar. Sim, porque só ataca quem está com medo. E, se está com medo, é porque está sentindo a força do poder popular que desperta e se manifesta. E o que fazem estes senhores em situações semelhantes? Chamam seus braços armados para entrar em ação. Quem vão mandar dessa vez? UNE? MST? CUT? Quem sabe algum instrutor das FARC? Ou PCC? Ninguém! Seria assinar atestado de burrice. E burros eles não são. Ademais, a valorosa Polícia Militar vai estar presente na manifestação e, seguramente, não vai permitir que vândalos insandecidos pratiquem o terrorismo.

Estão acusando a tal oposição. Que oposição?? Desde quando "neftipaiz" existe alguma oposição? As manifestações são populares, nasceram da indignação da sociedade brasileira frente à impunidade, à corrupção escancarada, aos sucessivos escândalos que envolvem os três poderes. São eminentemente apartidárias. Prova é que, no último dia 29, a Polícia Militar retirou da manifestação pessoas com a bandeira do PSDB, dado que não se mobilizaram a sair apenas com as vaias dos manifestantes.

Passeata da Grande Vaia Fora Lula

A Passeata da Grande Vaia Fora Lula que acontece em São Paulo no dia 04 de agosto não é nem da direita, nem da esquerda. É a mais pura demonstração democrática da sociedade que deseja ver o Brasil ir em frente, crescer e resgatar sua condição de potência mundial, tomando-o de volta das mãos dos bandidos surrupiadores da Nação. Que seja uma de muitas expressões da vontade da sociedade brasileira! Avante, brava gente brasileira! Nem direita, nem esquerda. Em frente!

Outras cidades que aderiram ao movimento: Rio de Janeiro - Forte do Leme (Copacabana); Vitória - Concentração na Praça do Papa (Em frente ao Palácio do Café); Brasília - Concentração no Aeroporto JK; Curitiba - Concentração na Rua XV, em frente à Praça Osório; Belém - Praça do CAN; Porto Alegre - Aeroporto Salgado Filho; Maceió - 1º de agosto as 14:00 h concentração em frente ao tribunal de contas de Alagoas na Avenida Fernandes Lima.; Natal- Aeroporto Internacional Augusto Severo; Belo Horizonte - Concentração na Praça da Liberdade; Recife- concentração: marco zero (recife antigo)


Manifestações contra Lula preocupam Planalto


Por Vera Rosa e Leonencio Nossa
Fonte: http://www.estado.com.br/editorias/2007/07/31/pol-1.93.11.20070731.10.1.xml

Em reunião com ministros, presidente garante que vaias não vão mudar sua rotina de viagens pelo País.

Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está preocupado com os protestos contra seu governo, mas disse ontem que não vai se intimidar com vaias. Diante de ministros da coordenação política, no Planalto, afirmou que irá ao Rio Grande do Sul e ao Paraná por volta de 14 de agosto, quando retornar de seu périplo pelo México e por quatro países da América Central.

Na tentativa de evitar mais dissabores para Lula, como novas vaias, sua assessoria cancelara viagens que faria a Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina logo após a tragédia com o Airbus da TAM no Aeroporto de Congonhas, dia 17.

“Ninguém vai me emparedar”, afirmou Lula, na reunião de ontem. “Eu não vou deixar de andar o País por causa de vaia.” Pesquisas do tipo tracking, encomendadas pelo Planalto após o acidente em Congonhas, já indicam que a popularidade do presidente caiu, sobretudo em São Paulo, e em camadas das classes média e alta. O levantamento acendeu a luz amarela no Planalto, depois de dez meses de crise aérea.

Até agora, o governo não organizou nenhuma estratégia para enfrentar hostilidades, mas pretende observar as manifestações com cautela. Há, na avaliação do Planalto, duas situações distintas em meio aos gritos de “Fora Lula”: a primeira, considerada natural, de indignação das famílias de vítimas do acidente da TAM; a segunda, organizada pela oposição.

Um auxiliar direto do presidente disse ao Estado que o governo identifica o bordão “Cansei” como uma “coisa armada” pelos adversários, especialmente do PSDB e do DEM. O movimento foi lançado por empresários e tem apoio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O verbo cansei é sempre associado a substantivos que causam dor de cabeça ao Planalto, como corrupção e apagão aéreo.

Lula recebeu vaias na semana passada, em viagens ao Nordeste, e no dia 13, na abertura dos Jogos Pan-Americanos, no Rio. No diagnóstico do governo, porém, os apupos foram “superdimensionados” pela imprensa. Apesar de garantir que viajará para o Paraná e o Rio Grande do Sul no meio de agosto, o presidente - que hoje assina convênios do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em Cuiabá e Campo Grande - não irá a Santa Catarina. A alegação oficial é de que “não terá tempo” para lançar pessoalmente o PAC em todos os Estados. Na sexta-feira, ele pretende reunir no Planalto governadores de 12 Estados que ainda não visitou e dar por encerrada essa maratona de viagens para assinar protocolos do PAC.

CONSELHO POLÍTICO

Além da crise aérea, outro assunto que tem tirado o sono do presidente é a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e da Desvinculação das Receitas Orçamentárias (DRU), cuja vigência termina em dezembro. A arrecadação estimada para este ano, só com a CPMF, é de R$ 36 bilhões, e o governo jura não ter como abrir mão desse dinheiro.

Ainda nesta semana, Lula participará da reunião do Conselho Político e pedirá à base aliada que ajude a aprovar a renovação da CPMF e da DRU. A oposição ameaça derrubar as duas e uma fatia do PMDB cobra cargos em estatais como Furnas para votar com o governo.

PT se reúne com movimentos sociais e sugere reaproximação
31 de julho de 2007

Por Moacir Assunção
Fonte: http://www.estado.com.br/editorias/2007/07/31/pol-1.93.11.20070731.2.1.xml?



O PT tenta recuperar a aproximação com os movimentos sociais que, de acordo com o próprio Campo Majoritário - tendência mais forte do partido -, “perderam vigor” nos últimos tempos. No 1º Colóquio PT x Movimentos Sociais, realizado ontem em São Paulo, o secretário nacional de movimentos populares do PT e ex-deputado estadual, Renato Simões, reconheceu as diferenças entre as instâncias, mas disse esperar que o diálogo se fortaleça. O presidente nacional do partido, Ricardo Berzoini, afirmou que há uma “conflitividade natural” na relação, mesmo quando há petistas do lado do governo e dos movimentos sociais.

“O próprio presidente Lula reconheceu que os movimentos sociais como a União Nacional dos Estudantes (UNE), Movimento dos Sem-Terra (MST) e Central Única dos Trabalhadores (CUT) fizeram a diferença no segundo turno das eleições. Os grupos organizados terão forte participação no Congresso do PT”, afirmou Simões, no Sindicato dos Engenheiros, onde ocorreu o encontro, diante de platéia com representantes de movimentos sociais do País.

Berzoini exemplificou as dificuldades de diálogo entre o partido e os movimentos com a conquista, na década de 1980, da Prefeitura de Diadema pelo ex-petista Gílson Menezes, hoje no PSB. “O conflito natural não é um problema, embora às vezes traga dificuldades. Quando o PT conquistou a prefeitura, havia a ilusão de que conseguiríamos, por ser governo, resolver todos os problemas”, disse.

Com relação à proposta de redução do seu mandato por conta do escândalo do dossiê Vedoin, Berzoini afirmou que ele próprio defende que haja novas eleições para a direção do PT ainda neste ano. “Não ouvi ninguém falar disso (de sua saída por conta do dossiê), mas houve mudanças de composições da direção neste processo e é importante que o partido faça a reavaliação de sua atuação. O Congresso tem o direito de reavaliar o partido.”

CANSEI

O presidente do PT ironizou o movimento Cansei contra a corrupção. “Não sei se o patrono é o Haddock Lobo ou o Oscar Freire, mas é um movimento dissimulado, que não assume sua característica partidária”, acusou, referindo-se a ruas de comércio na capital paulista destinado às classes mais abastadas.

Berzoini sugeriu ainda que os líderes do Cansei - o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP), Luiz Flávio Borges D’Urso, e o empresário João Dória Júnior - representam setores da oposição. Com relação às vaias que Lula vem sofrendo desde a abertura do Pan, ele disse que o PT precisa estar preparado para conviver com elas.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

IDENTIFIQUE A NOSSA DOR

Por: Fabrício Carpinejar
Poeta de Caxias do Sul (RS)


Não pode identificar os nossos mortos, identifique a nossa dor. Só isso que peço. Identifique a nossa dor antes que ela se transforme em pavor, em pânico, em doença. Nossa dor é o que há de mais fiel ao corpo do passageiro.
Escute a ansiedade cardíaca de nossa dor: ela vive uma morte que é o jeito que encontramos de continuar vivendo. Não é uma aliança, implante de platina ou um objeto que nos dirá que é ele. É a nossa dor. A nossa dor carbonizada. A nossa dor destroçada. A nossa dor atropelada. A nossa dor que não tem um rosto do filho, do pai, da mãe, do irmão, da mulher, do marido, do amigo para se despedir. Talvez não entenda a importância de passar os dedos no nariz do morto, nas pálpebras do morto, nas orelhas do morto, no pescoço do morto, nos cílios do morto, na boca do morto e consolar:
- Vá em paz.
Que hoje não temos nem paz para doer. Não há nem como completar uma ave Maria, um pai-nosso sem esquecer metade da reza. Rezamos rápido para lembrar a letra, e não adianta. Pensamos tão rápido que não desejamos pensar. Temos fé, mas não temos um lugar seguro para pousar as palavras.
O filho que fica, o filho órfão desses acidentes, vai passar frio o resto da vida. Frio porque não terá um pai ou uma mãe a insistir para colocar o casaco ao sair. Frio porque não terá um pai ou uma mãe para cobrir seus pés de madrugada. Frio porque o caixão paterno e materno estará sem vidro para a criança fazer desenhos com a respiração. Sem nenhuma vidraça para desenhar o caroço de um coração. O caroço. Porque nossa dor é caroço de uma polpa que não existe mais. De uma árvore que não existe mais. Só há caroço no lugar do coração. Um caroço apertado como um dente doendo, como um dedo preso eternamente numa porta que não abrirá. Frio de osso, frio porque o pequeno terá de completar a memória que falta com a imaginação.
Identifique a nossa dor, nossos mortos não estão mais naquele vôo. Estão em nossas casas. Venha entrar em seus quartos. Não tivemos coragem de informar às suas roupas que eles não vão voltar. Permanecem aguardando no cabide a força dos trilhos. Você precisa descobrir o que foi a vida de cada passageiro para entender a importância de sua morte. Tomar café da manhã com o passageiro morto, almoçar com o passageiro morto, jantar com o passageiro morto, para entender que ele não é uma exceção. Ele era toda a esperança de quem fica.
Quantos cadernos escolares ficarão sem assinatura dos pais? Quantas formaturas ficarão com assentos vazios? Quantos pequenos terão vergonha de escrever como foram suas férias para seus professores?Não deve supor o que é mexer na agenda de um pai ou de uma mãe e ver todos os compromissos do mês de agosto como se fossem acontecer. O que é revisar as fotografias para conversar em segredo, baixinho, entre a loucura e o medo. O que é deitar na cama deles para cheirar os travesseiros. Cheirar as fronhas com ganas de abraçar. O que é dizer “está tudo bem” para não desvalorizar a tristeza. O que é ouvir suas vozes ainda na secretária telefônica:
- Embarcaremos no vôo 3054, retornaremos em breve. Te amamos.
E escutar centenas de vezes a mensagem para descobrir alguma diferença sutil de um som a outro. Tentar achar alguma ameaça no tom, um pressentimento. E concluir que eles não anteviram nada de errado. Nada estranho.
Errado e estranho são os que brincam em transferir a responsabilidade. Não foi um acidente aéreo, foi um acidente ético. Uma catástrofe ética.
Eles só foram viajar, você entende? Eles só desejavam estar em casa, entende?
Identifique primeiro a nossa dor, respeite a nossa dor, os mortos estão reunidos na frente do rádio de nossa dor para esperar os seus nomes. Minha dor, eu entrego a Deus. Mas minha raiva, essa raiva de querer viver quem eu amo até depois de sua morte, está aqui, quente do meu hálito, à sua espera.

O QUE É ACIDENTE? TAM - VÔO 3054

Christina Fontenelle
Julho de 2007

Tudo bem, a maioria dos repórteres não tem tempo mesmo de estudar nenhum assunto aprofundadamente e, para dar as notícias, acaba repetindo aquilo que para eles declaram, não só pessoas envolvidas nos acontecimentos, como também supostos especialistas nos temas de que se trate, e ainda das agências de notícias. Cabe aos que tenham uma melhor oportunidade, ir esclarecendo aos leitores e telespectadores, aos poucos e na medida do possível.

A imprensa vem divulgando nos últimos dias que, de posse dos dados das caixas-pretas do avião da TAM, vôo 3054, que se acidentou em São Paulo, matando cerca de 200 pessoas, a FAB suspeita que o pior acidente aéreo da história do país tenha sido provocado pela conjunção dos seguintes fatores: falha nas manetes do Airbus da TAM ou um erro cometido por quem pilotava o avião e problemas relacionados à pista do aeroporto de Congonhas.

O chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), brigadeiro Jorge Kersul Filho, deve iniciar uma investigação detalhada a partir de segunda-feira. Ele disse que a Aeronáutica vai repassar as informações das caixas-pretas do Airbus da TAM à CPI do Apagão Aéreo e à Polícia Federal na próxima terça-feira e voltou a pedir cautela a todos que forem ter acesso a detalhes sigilosos das investigações. Os dados das caixas-pretas do Airbus-A320 da TAM registraram de forma clara os últimos 30 minutos de diálogos dos pilotos da aeronave. Segundo o brigadeiro, eles serão confrontadas com outros dados referentes às investigações. São pelo menos 580 (informações como duração, velocidade e altitude da aeronave) os parâmetros que as caixas-pretas registraram, mas a Aeronáutica vai trabalhar com apenas 60 deles. Segundo Kersul, se houver necessidade, a Aeronáutica pode pedir o resgate de novos parâmetros. Parte do material que chegou ao Brasil será analisada pelo Cenipa em Brasília e o restante por outros técnicos do Cenipa de São Paulo e de São José dos Campos (SP). Um piloto da TAM acompanhou o trabalho de peritos nos Estados Unidos para a coleta do material registrado nas caixas-pretas. Ele conhecia a tripulação e conseguiu identificar as vozes de que quem falava em cada momento - comandante A ou B.

Segundo o brigadeiro Kersul, uma das manetes poderia não estar devidamente encaixada na posição correta e o equipamento do Airbus pode não ter sinalizado esta falha adequadamente ou em tempo hábil de evitar o acidente. Kersul disse também à reportagem da Folha, na sexta-feira passada, que a Aeronáutica trabalha ainda com as hipóteses de falhas no sistema de frenagem e/ou de problemas que possam ter ocorrido com a tripulação do Airbus.


Como é normal em todos os acidentes que envolvem aeronaves de suas empresas, as companhias que constroem os aviões enviam representantes aos locais do ocorrido para acompanhar e/ou auxiliar nas investigações. Não foi diferente do que fez a Airbus, enviando representantes que chegaram ao Brasil menos de 24 horas depois do terrível acidente com o A-320 da TAM. Com base nas informações que teriam recebido sobre as análises preliminares da gravação de dados da caixa-preta do vôo 3054 que estavam acontecendo nos EUA, a Airbus enviou um AIT (Accident Information Telex), para todas as empresas que operam seus aviões, no qual recomendava o "estrito cumprimento" de dois procedimentos de pouso envolvendo os controles de potência das turbinas, para prevenir outros acidentes.

A primeira recomendação diz que os manetes devem estar na posição "idle" (espécie de ponto morto) na fase "flare" (quando o avião "plana" com o nariz para cima para reduzir a velocidade antes de tocar o solo). Esse é o procedimento normal necessário para tocar a pista. A segunda recomendação remete à situação de pouso com um dos reversores inoperante, conforme as instruções originais para a aeronave e conforme estava o A320 acidentado em São Paulo, que se encontrava com o reversor da turbina direita travado. O procedimento correto seria acionar o "idle" em ambos os manetes, antes de tocar o solo, e, depois, colocar os reversores (inclusive o inoperante) em máximo. Duas coisas são previstas no caso: um aviso na tela de "falha em reversor" na turbina no qual o equipamento está "pinado" (lacrado) e um comando do computador de bordo para deixar a turbina em "idle". Provavelmente houve falha na emissão destes avisos - por ausência dos mesmos ou por retardamento.

Vamos partir do óbvio: o piloto, além de experiente, não era um suicida - essa consideração é o mínimo que se deve ter ao tratar deste acidente, uma vez que o piloto faleceu e não tem como se defender.

Ainda não está claro qual teria sido o procedimento adotado pelos pilotos do vôo 3054 com relação à operação dos manetes. A reportagem de VEJA desta semana diz ter apurado que quem pilotava o Airbus no momento do acidente era o comandante Kleyber Lima, e não o co-piloto Henrique Stephanini Di Sacco, que estava na TAM havia pouco tempo.

Segundo a Veja, se confirmada a falha do piloto, há precedentes: um acidente com outro A320, em Taipei (Taiwan), em 2004, no qual um dos reversores da aeronave também estava inoperante e as investigações revelaram ter havido acionamento incorreto das manetes da turbina. O relatório do caso diz que o piloto deixou a manete dessa turbina um pouco acima da posição "idle", fazendo com que os freios aerodinâmicos não fossem acionados e com que a frenagem automática não engatilhasse. Quando o piloto reverteu o sistema para manual, a turbina afetada ainda teria potência - o que teria impedido a desaceleração da aeronave. Resultado: o Airbus saiu da pista. Porém, felizmente, naquele acidente ninguém se feriu. Sabem por quê? Porque no aeroporto de Taupei havia área de escape no final da pista! E ainda havia um importantíssimo detalhe: o airbus pesava 55 toneladas no momento do acidente!

Vamos analisar nas figuras ao lado e abaixo a reportagem da VEJA e apresentar dados para rebater algumas das informações divulgadas pela revista, bem como outros que concordam com elas.

Os quadros abaixo foram elaborados pela VEJA para explicar como funcionam as manetes e o que teria acontecido na cabine de comando do A-320 vôo 3054 (esquerda) e o trajeto da aeronave durante o pouso (direita).












Abaixo a análise desse artigo sobre o que pode ter acontecido (clique nos quadros respeitando a seqüência da esquerda para a direita e para baixo, sucessivamente):










































Há algumas conclusões que podem ser tiradas depois de se ter lido os quadros acima. A primeira delas é que mesmo que o fatídico acidente com o vôo 3054 da TAM tenha ocorrido por falha técnica da aeronave, não é preciso ser nenhum gênio da engenharia aeroportuária para saber que é imprescindível que os aeroportos tenham pistas cercadas por áreas de escape bem planejadas, porque até um simples "motorista" de charrete sabe que acidentes podem acontecer.

Vamos ser bem primariamente didáticos aqui. A definição de acidente é: "Percalço negativo, repentino, imprevisto, longe da vontade humana e que pode causar danos de gravidade variável às coisas ou pessoas". Podemos evitar os acidentes? Às vezes sim, às vezes não. Então, o que podemos fazer em relação a eles? Ora, podemos adotar procedimentos e usar equipamentos (e há milhares de pessoas no mundo que trabalham justamente no desenvolvimento desse tipo de coisa, para os mais diversos tipos de situação) para que, caso eles venham a acontecer, os danos causados às pessoas a às coisas envolvidas sejam os menores possíveis!

No caso deste acidente com o Airbus da TAM, o que é que não estava de acordo com esta atitude de prevenção que se deve ter em relação a possíveis acidentes? O peso da aeronave e a falta de uma área de escape na pista de Congonhas. Você, caro leitor, provavelmente não é um gênio; eu também não sou. Mas, será que é preciso ser um gênio para compreender a obviedade destas conclusões?

Será que é preciso ser um grande gênio para também deduzir que, depois de já ter acontecido anteriormente em pelo menos dois acidentes de pouso com o Airbus A-320, este problema de alinhamento da manete ma posição IDLE - com um dos reversores desligados e especialmente em pousos em pistas molhadas - em que um simples escape do encaixe da manete daquela posição (provavelmente por causa do impacto do pouso) faz com que o sistema de frenagem automatizado da aeronave não acione os spoillers adequadamente (e que o tempo de reversão para procedimento manual não seja rápido o suficiente para aeronaves grandes que pousam em pistas pequenas) já não teria sido imprescindível a alteração eleltrôcico-mecânixa deste projeto por parte da Airbus - ou que, ao menos, em se tratando de soluções à lá tupiniquim, já não seria sem tempo de pregar cartazes com letras garrafais em vermelho alertando sobre este "pequeno" detalhe de encaixe?

Dez dias depois do acidente, o ministro da Defesa, Nelson Jobim
, foi a São Paulo no dia 27 de julho, para vistoriar a pista de Congonhas e o prédio da TAM. Em seguida, acompanhado pelo comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, foi ao Instituto Médico Legal, onde estão sendo feitos os trabalhados de identificação dos corpos das vítimas da tragédia com o vôo 3054 da TAM. Palavras de Jobim à Folha:


"Tanto ele (Saito) como eu descemos ao necrotério para examinar o ato de trabalho de um desses corpos. Quero dizer a vocês que é rigorosamente impactante, para não dizer horroroso”.


À tarde, Jobim encontrou-se com o governador de São Paulo, José Serra (PSDB) e com o prefeito da cidade, Gilberto Kassab (DEM).



Serra aproveitou o encontro para apresentar propostas para amenizar a crise aérea e reduzir o fluxo no aeroporto de Congonhaas: a construção de uma terceira pista de pouso e de decolagem no aeroporto internacional de São Paulo, em Guarulhos, onde seria construída uma linha ferroviária com trens expressos ligando São Paulo ao terminal, e o "apressamento" das obras de construção de um terceiro terminal de passageiros no aeroporto de Cumbica. Para Congonhas, o governador sugeriu a construção de uma área de escape para aumentar a segurança dos vôos e não para aumentar o tráfego ou o peso das aeronaves. As obras seriam feitas em regime de Parceria Público-Privada: o Estado de São Paulo entraria com R$ 1,5 bilhão, o governo federal com R$ 580 milhões, e a iniciativa privada com R$ 1,3 bilhão.


Em declarações feitas à imprensa, Jobim disse que o perfil para ocupar cargos de comando do setor aéreo é de gestor - "Ser civil ou militar, não importa" -, aproveitando para dizer também que descartava indicações partidárias para o comando da área - "Neste setor não há que se tomar decisões partidárias".

A Folha Online apurou que quatro dos cinco diretores da Anac já concordaram com o pedido coletivo de renúncia coletiva, inclusive o presidente da agência, Milton Zuanazzi. O pedido aconteceria na próxima terça-feira, após pressão do Planalto e do novo ministro Nelson Jobim. Pela lei, a diretoria da Anac não pode ser demitida nem pelo presidente nem pelo ministro da defesa. O mandato dos cinco integrantes da agência, que assumiram seus postos com a criação de Anac em substituição ao Departamento de Aviação Civil (DAC), em março de 2006, venceria em 2011.


O mais cotado para assumir a presidência da Anac seria o brigadeiro Jorge Godinho Barreto Nery, ex-presidente do DAC, que passou os últimos anos assessorando o ex-ministro Waldir Pires na Defesa e que ainda continua na pasta, agora sob o comando de Jobim.



Outro nome cotado para integrar a diretoria da Anac é engenheiro aeronáutico Ozires Silva, ex-presidente da Varig e da Embraer e com um longo currículo de experiência no setor aéreo.Atualmente, dos cinco diretores da Anac, apenas Jorge Veloso pertence ao setor - é especialista em segurança de vôo. Leur Lomanto foi deputado federal e assessor parlamentar da Infraero. Josef Barat é economista. Denise Abreu é advogada e teria sido indicada para o cargo por José Dirceu, com quem trabalhou na Casa Civil. Ela é a única que parece não concordar em apresentar o pedido de renúncia coletiva. O presidente da Anac, Milton Zuanazzi, foi é pós-graduado em sociologia e foi indicado para o cargo pela ministra da Casa Civil Dilma Rousseff.

sábado, 28 de julho de 2007

Um Brasil indignado

Do site: Brasil Acima de Tudo - http://brasilacimadetudo.lpchat.com/index.php?option=com_content&task=view&id=2767&Itemid=1
28 de julho de 2007
Por Carina Rabelo, Claudia Jordão, Daniela Mendes, Lena Castellón, Mônica Tarantino e Rodrigo Cardoso (*)
(*)Fonte: http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/1970/artigo57107-1.htm


Os brasileiros externaram sua indignação e sua dor através de faixas nas ruas e nos aeroportos: Lula e o governo foram cobrados pela população cansada do caos aéreo.


Unidos em torno das famílias das vítimas do vôo 3054, os brasileiros protestam contra o caos aéreo, pilotos e empresas boicotam o Aeroporto de Congonhas e a OAB lidera campanha para parar o País por um minuto

Pouco importa se a dor foi extravasada com delicadeza, como na tarde da terça-feira 24, quando os familiares das vítimas do vôo 3054 levaram flores ao balcão da TAM, em Congonhas, uma semana depois do acidente que matou 199 pessoas. Tanto faz se o desconforto se revestiu com humor, como no pequeno grupo de passageiros que desfilou com nariz de palhaço no Aeroporto Tom Jobim, no Rio de Janeiro, para chamar a atenção para os atrasos e descasos da Gol. Mesmo quando o protesto foi explícito, como nas manifestações que tomaram o salão do Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, de onde partiu o vôo, ou a avenida Washington Luiz, em São Paulo, onde se deu a tragédia, havia sempre um sentimento maior a unir cada movimento, cada reclamação, cada desespero individual a uma multidão de brasileiros igualmente revoltados. Enquanto as autoridades passaram a semana eximindo-se das próprias responsabilidades, das cinzas do maior acidente aéreo da história do País, ergueu-se um Brasil indignado.

É como se a inépcia do poder público, manifestada no sarcasmo dos gestos obscenos dos assessores e nas declarações de ministros que beiram a chacota, tivesse despertado novamente a sociedade civil – aquela entidade que, convertida em multidão, toma forma para ocupar ruas e praças e dizer aos governantes que basta, é preciso mudar. Foi assim nas Diretas-Já, foi assim no impeachment de Fernando Collor e começa a ser assim outra vez, depois de 353 mortos nos dois piores acidentes do Brasil e dez meses de caos aéreo que afetam o cotidiano de pessoas, famílias, empresas.

Como forma de garantir a própria segurança, pilotos de diferentes companhias boicotaram Congonhas, despertados da letargia pelo texto que um comandante da TAM, que na véspera do desastre havia voado no mesmo Airbus, postou na internet. “Estou bastante abalado e indignado. Na noite do dia 16 (...), o avião aquaplanou e eu tomei (...) um dos maiores sustos em meus 17 anos de aviação profissional. Gostaria que (...) os (ir)responsáveis por esta crise (...) tivessem a carade- pau de dizer que a pista de Congonhas não tem problemas”, escreveu na sexta- feira 20. Em seguida, algumas empresas decidiram não mais aterrissar lá. A TAM decidiu não mais usar, sob chuva, a pista principal. A BRA deixou de operar em Congonhas.

A reação da sociedade civil, contudo, começou muito antes do boicote dos pilotos e, dessa vez, foi capitaneada por empresas preocupadas com seus funcionários. Dois dias depois do acidente, o grupo Record avisou que artistas e funcionários não voam mais por Congonhas quando estiverem a trabalho. “É um protesto contra o descaso, contra a falta de ação dos responsáveis, governo federal, Aeronáutica, Infraero, Anac, companhias aéreas...”, apontou o comunicado da Record. O clube Palmeiras anunciou que até o final do Campeonato Brasileiro jogadores só viajarão por Cumbica, em Guarulhos (SP). A rede de supermercados Wal Mart recomendou a seus 55 mil funcionários não utilizarem o aeroporto central de São Paulo. E a empresa de softwares Sigma Dataserv, com sede em Curitiba, suspendeu as compras e reservas de vôos que passem por Congonhas. “Não podemos mais arriscar vidas”, diz Luis Coimbra, diretor da companhia.

Em artigo publicado na quinta-feira 26, os coordenadores do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Marilena Lazzarini e Marcos Pó, defenderam o boicote ao aeroporto até que seja feita uma avaliação independente sobre as condições de operação. De acordo com eles, o grau de respeito aos consumidores por empresas privadas e pelo governo é indicador do avanço social da sociedade. “Se o Brasil deseja ser um país avançado, já passou da hora de cuidar disso”, escreveram.


Cidadãos das mais diversas cidades estão avançando nessa mobilização por segurança, competência e qualidade nas decisões do governo. Em São Paulo, entidades como a SOS Mata Atlântica e a Campanha Rir Para Não Chorar organizaram uma caminhada do Monumento às Bandeiras – um dos símbolos da capital paulista – ao aeroporto de Congonhas para apoiar as famílias, homenagear os bombeiros e criticar a falta de soluções. O mote do movimento é “A sociedade brasileira exige respeito”. O ato foi convocado para o domingo 29, com as pessoas vestidas de roupas pretas. “Já participei de diversos atos e espero que este recrute os brasileiros a pressionar pela segurança aérea”, desabafa Sergio Morisson, do Rir Para Não Chorar. “Atingimos nosso limite.”

Movimento “A Sociedade Exige Respeito” organiza caminhada no domingo 29 e famílias fazem sete minutos de silêncio pelas vítimas em Porto Alegre uma semana depois do acidente.

Veiculada pela mesma internet que permitiu às companhias mudar o sistema de venda de passagens aéreas, uma grande manifestação nacional está sendo programada para 4 de agosto. Ela reunirá pessoas em lugares como a avenida Paulista (SP), a Cinelândia (RJ) ou o Aeroporto Juscelino Kubitschek (Brasília). Outra mais ousada recebeu o nome de “No Fly Day”, ou um dia sem aviões. Os criadores convocam os brasileiros a não viajar no dia 18 de agosto. Os dois movimentos começaram pelo Orkut.

Mas nada se compara, em termos de organização, ao protesto simples, simbólico e silencioso que pretende fazer com que tantos brasileiros quanto possível parem durante um minuto, com a mão sobre o peito, no coração, no dia em que a tragédia completar seu primeiro mês. Apenas um minuto sem palavras, com as pessoas em pé, a mão sobre o coração, suspendendo suas atividades para deixar claro que a população não suporta mais a sucessão de crises que se abate sobre o Brasil. E está indignada com a falta de medidas efetivas contra o caos aéreo, a corrupção, as CPIs sem soluções.


Encabeçada pela OAB, a Ordem dos Advogados do Brasil, a manifestação pretende ser um movimento de resgate da cidadania e de solidariedade às famílias atingidas, mas pode-se entendêla também como uma resposta à atitude de autoridades que não respeitaram a dor de quem perdeu pais, companheiros, filhos, amigos. “Há uma insatisfação generalizada diante do marasmo em que o Brasil se encontra, diante da série de episódios que geram angústia e indignação”, diz Luiz Flávio



Borges D´Urso, presidente da seção paulista da OAB. “Não é só de quatro em quatro anos que devemos exercer a cidadania.” Chamado de Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, o ato teve sua largada na semana passada, com o lançamento da campanha publicitária que destaca a expressão “cansei”, verbalização do estado de esgotamento da população.
Ao contrário de outros grandes movimentos da sociedade civil, dessa vez a mobilização passa ao largo dos políticos, para não dizer apesar deles. “Isto é um movimento de cidadão para cidadão”, diz Marcos Haddad, do grupo Jovens Líderes, da Fiesp. “É uma demonstração de civismo, de conscientização.”
Além da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a iniciativa tem o apoio da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) da Associação Comercial de São Paulo e do Conselho Regional de Medicina.A indignação não é solução, mas um caminho para o País voltar a funcionar com um mínimo de tranqüilidade depois de meses de trauma coletivo. “A paz interior só virá com atitudes e medidas concretas”, analisa a psicóloga Mara Raboni, especialista em stress pós-traumático da Universidade Federal de São Paulo. “Não adianta o governo trocar nomes dos titulares de pastas. É necessário que a situação mude de fato, que a segurança aumente e que o acidente seja esclarecido.” Ela acrescenta que nos Estados Unidos – até hoje abalado pelos ataques de 11 de setembro – são comuns as manifestações em nome da dor das pessoas que sofreram perdas.

Passeatas, monumentos, marcos e datas ajudam a diminuir a revolta e o sentimento de impotência da população. No caso do Brasil, aconteceu o contrário, um agravante decorrente da série de atos das autoridades que soaram ofensivos à memória das vítimas da tragédia do vôo 3054 e aos passageiros vilipendiados no seu direito de ir-e-vir com segurança. “A morte abrupta por acidente é um luto difícil de elaborar, uma violência que a mente não tem condições de processar”, diz o psicanalista Edgar Diefenthaeler, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Especialista em luto, ele explica que a primeira reação é a raiva, a revolta: “Amigos e familiares devem mostrar que compreendem o que se passa. E também deve haver uma atitude respeitosa e de silêncio.”

Para a empresária Michele Pedreira, de São Paulo, a posição das autoridades foi o que mais a revoltou. Ela estava casada havia cinco anos com Marcelo Pedreira, um dos passageiros mortos na tragédia. Seu depoimento: “O comportamento do governo e da Infraero me indignaram. A demora em recebermos informações foi um desrespeito. E houve uma falta de sensibilidade generalizada. No dia do acidente, liguei das 19h até meia-noite para a TAM sem conseguir confirmar se meu marido estava no vôo. Fui tratada até com indelicadeza.” Outros familiares das vítimas carregam consigo a mesma indignação. E expressam nestas páginas de ISTOÉ, com a mão no coração, o protesto pela situação em que se encontram.


No hotel onde os parentes das vítimas estão hospedados, em São Paulo, as histórias pessoais são um retrato da lentidão da burocracia, do poder da influência e do receio da falta de justiça – muitos dos muitos males cotidianos que tanto indignam os brasileiros. O professor Dario Scott, de São Leopoldo (RS), pai de Thaís Scott, 14 anos, morta no acidente, ficou espantado que a Anac só tenha enviado uma assessora para visitá-los uma semana após a tragédia. “Eles são tão incompetentes que devem ter demorado para descobrir onde as famílias estavam”, critica.

Os familiares vão protocolar um documento na promotoria da Justiça do Consumidor para garantir alguns direitos. Não querem, depois, se sentir lesados pela negligência oficial ou pela lentidão da lei. “Com o tempo, vamos ficar invisíveis”, afirma Ana Scott, mãe de Thaís. “Não podemos permitir que esqueçam tudo.” Por ora, os parentes se concentram na identificação dos corpos – e mesmo um procedimento desses é coberto pela desconfiança. O gerente comercial Eurípedes Conceição Júnior, cuja namorada, a jornalista Katia Escobar, estava no vôo 3054, vai direto ao ponto. “A gente acredita que houve favorecimento na identificação dos corpos”, afirma Eurípedes. Katia era assessora do Sindicato dos Servidores Públicos Aposentados do Rio Grande do Sul, que perdeu dez associados na tragédia. “Só metade foi reconhecida.”

Até agora, um único episódio de indignação foi além do protesto, da desconfiança, da mobilização. Na reunião com os representantes das vítimas, o presidente da TAM, Marco Antonio Bologna, dois comandantes da companhia e um funcionário do Unibanco AIG (responsável pela indenização), as duas horas de discussões extrapolaram em ameaça física quando uma senhora exaltou-se e só não agrediu Bologna porque foi impedida por seguranças. No trauma do luto, a primeira reação é de raiva. A ela seguiu-se a indignação e, a partir de agora, os brasileiros se mobilizam pedindo o mínimo – que os aviões voem, pousem e transportem com segurança quem paga pelo serviço. É tão difícil acontecer isso?


ACIDENTES DA GOL E DA TAM SÃO ASSASSINATOS DOLOSOS

por Paulo Moura
cientista político

Aos leitores que notaram o descompasso de meus últimos artigos com os acontecimentos recentes da conjuntura brasileira, informo que estive, por dez dias, fora do Brasil, tendo deixado artigos prontos para cumprir meu compromisso com Diego. Soube apenas superficialmente do acidente com o Airbus da TAM. Ao retornar ao Brasil vivenciei, como Denis Rosenfield descreveu em seu artigo de ontem, minha história pessoal de vítima do caos aéreo.
Mas, nada se compara à emoção e a dor das tristes descobertas que fui fazendo algumas horas após pisar em solo brasileiro. Morreu no acidente da TAM a nora grávida de um amigo pelo qual guardo enorme respeito e admiração pelos anos de convivência fraterna e aprendizado intenso do que sei sobre política. Seu filho, um jovem advogado que conheci profissionalmente, assim como todos os seus familiares, jamais serão reparados pela dor dessa perda, agravada pela eventual impossibilidade de uma cerimônia fúnebre com o corpo presente de seu ente querido.
O senhor Marco Aurélio é gaúcho de nascimento e iniciou aqui sua carreira política no movimento estudantil, tendo convivido com meu professor. Seu gesto obsceno, se já não fosse grave e emblemático indicador da demência de nossos governantes, é estúpida, insensível e injustificável agressão adicional à dor das famílias vítimas. O impacto desse gesto, por razões evidentes, foi mais pesado ainda para os membros dessa família em especial. Difícil conter as lágrimas ao ouvir meu amigo ao telefone descrevendo sua dor, e novamente agora, ao escrever essas linhas.
Para Lula e seus séqüito de burocratas, animais políticos no mais primitivo e degradante sentido da expressão, tudo se resume a livrarem-se da punição pelo crime doloso que cometeram e cometem nos dois acidentes e na gestão do caos aéreo nacional.
Os gabinetes de crise que o governo e a TAM montaram, não visam consertar o caos que produzem, mas à proteção dos danos às suas respectivas imagens. Cabeças vazias são entregues aos leões, versões improvisadas que não resistem poucas horas para as causas do acidente, e conhecidas táticas diversionistas de contra-informação e desorientação da opinião pública vêm sendo usadas para proteger os culpados pelo acidente GOL, e novamente no caso da TAM. A impunidade é a meta dos responsáveis. Poder e dinheiro estão acima de tudo para essa gente hipócrita. As declarações de Lula evidenciam textos e roteiros meticulosamente construídos por marqueteiros inescrupulosos com o único objetivo de evitar que a imagem do "pai dos pobres" seja prejudicada pela revelação de seu verdadeiro conteúdo oculto, prenhe de podridão moral.
Segundo o Dicionário Aurélio o significado jurídico do termo "dolo" é: "Vontade conscientemente dirigida ao fim de obter um resultado criminoso ou de assumir o risco de o produzir.
"Menos de 24 horas após chegar ao Brasil, recebi por e-mail a gravação do trecho de um discurso que o deputado Júlio Redecker (PSDB/RS) fez no Congresso Nacional sobre o acidente com o Boeing da GOL, denunciando a responsabilidade do governo Lula, na figura da Casa Civil da Presidência da República, sobre as mortes daquela tragédia. Segundo a denúncia documentada do deputado, houve deliberado contingenciamento de verbas para modernização dos aeroportos, desde 2005, mesmo diante dos reiterados alertas de técnicos envolvidos na avaliação do setor, de que acidentes aéreos ocorreriam como conseqüência dessa decisão.
De forma trágica e involuntária, o deputado Redecker vaticinou sua morte, provando com o sacrifício da própria vida a acusação de assassinato doloso que recai sobre os ombros dos responsáveis por esse desgoverno e pelas companhias aéreas. Em meio ao mar de mediocridade e corrupção que reina sobre o parlamento brasileiro, o deputado Redecker, a quem conheci profissionalmente, era uma digna e honrosa exceção. Líder vocacionado para o poder, marcado por sólidas convicções morais, preparo técnico e intelectual, inclusive com formação acadêmica no exterior, o deputado tucano tinha todas as qualidades para exercer mandato executivo a testa de um governo estadual, ministério e, no futuro, mesmo a Presidência da Republica, se o destino lhe oferecesse essas oportunidades. A dor de sua família não é menor que a dos demais familiares das outras vítimas. Sua morte priva-nos, como cidadãos brasileiros, também da esperança de que um dia líderes dignos da grandeza moral que deve pautar a conduta dos homens públicos voltem a nos governar.
Desde os tempos da agonia da Varig, protagonizada pela estupidez de seus gestores e somada aos noticiados lobbies de ilustres petistas interessados na intermediação da sua venda para TAM, evidencia-se pela forma como autoridades lidam com uma crise dessa gravidade, que a mão da corrupção contamina com irracionalidade as decisões que pautam os inescrupulosos interesses políticos e econômicos dos abutres que tripudiam sobre a tragédia das vítimas e da nação vilipendiada. Ironia do destino confirma o dito chinês que lembra que pactos entre ladrões terminam no minuto seguinte ao roubo, na hora da partilha do butim.
A se confirmar a denúncia de que a redução da pista de Congonhas para a construção de um hotel teria sido autorizada pelo governo de Marta Suplicy, mais uma ré e outros tantos réus devem contas à Justiça Criminal, às famílias da vítimas e à nação. Dispensável nomear o responsável número por esses e tantos outros crimes de lesa pátria que desfilam pelo noticiário desde as denúncias de Roberto Jefferson.
Mas, as companhias aéreas, movidas pela cobiça de ocuparem o vácuo deixado pela Varig, têm sua parcela de culpa nesse descalabro. No dia 24 passado, ao retornar ao Brasil, embarquei num Airbus da TAM, igual ao acidentado em Congonhas, no aeroporto de Cumbica. Em meio ao caos no saguão do aeroporto, répteis furavam a fila de check in dos participantes do programa de "fidelidade vermelha" da TAM, com a cumplicidade passiva de uma funcionária que se negava, agredindo verbalmente passageiros indignados, a fornecer sua identificação completa para denúncia aos órgãos competentes.
O vôo, com decolagem prevista para as 07:50, encontrava-se na cabeceira da pista às 09:30, quando recebeu ordem de retornar ao pátio de embarque, pois um ônibus que transporta passageiros dos portões térreos do aeroporto, perambulava pela pista desorientado em busca do avião no qual deveria despejar 40 cidadãos brasileiros esquecidos pela TAM. Segundo admitiu uma "voz feminina" da TAM, no alto-falante do avião, a tripulação havia sido informada pelo setor de embarque da própria companhia, que os passageiros já embarcados compunham o total a ocupar a aeronave para aquela viagem.
Como se não bastasse, diante dos comentários estupefatos dos passageiros, "uma voz masculina" da TAM na aeronave, abandona o script padrão das orientações obrigatórias antes da decolagem e, ao pedir, em linguagem coloquial e debochada, a atenção dos passageiros para o VT com as instruções de segurança, comete um erro técnico de operação do aparelho de vídeo e afirma no alto-falante: "Eu sempre erro isso aqui". E ri como quem ignora o risco de morte iminente de todos os embarcados, do qual poderia se tornar vítima. E cúmplice.
Ninguém me contou. Meus familiares e eu vivemos. E, felizmente, sobrevivemos.

LULA FAZ POLITICAGEM EM CIMA DOS CADÁVERES DE CONGONHAS

por Aluízio Amorim
http://oquepensaaluizio.zip.net/
Publicado em 27/07/2007

Enquanto dezenas de famílias dos mortos na tragédia anunciada do avião da TAM, Lula e seus sequazes, demonstrando com todas as letras que não estão nem aí para dor e o sofrimento alheios, entregam-se a mais um lance de politicagem eleitoral tendo em mira a sucessão presidencial. A substituição do caquético Waldir Pires por Nelson Jobim estaria, segundo os analistas políticos mais apressados, ligada à intenção de Lula de buscar um candidato confiável fora das hostes tradicionais petistas, avariadas pelos sucessivos escândalos que emergiram a partir do mensalão.
Calcula-se que, se Jobim no Ministério da Defesa lograr a solução para o caos aéreo estaria definitivamente credenciado à disputa presidencial em 2010. Como se vê, Lula e seus sequazes, mais a turma do PMDB, via Jobim, montam uma estratégia eleitoral sobre os cadáveres de dois terríveis acidentes aéreos, em mais um lance de obscenidade e de deboche. Esta é uma das leituras do episódio. Mas uma leitura ingênua.Como se sabe, hoje há dois fortíssimos candidatos à sucessão de Lula. Um é o governador mineiro Aécio Neves; o outro, o governador paulista José Serra. Lula joga de forma esperta nesse tabuleiro. Aproxima-se de Aécio e o induz a migrar de partido para receber a sua benção.
Agora, sobre os cadáveres de Congonhas, descobriu outro flanco a explorar, sinalizando a Aécio que o cavalo encilhado e pronto estaria passando e apressando o galope.Lula busca um tertius capaz de fracionar os votos na futura eleição presidencial, desunindo a oposição para fortalecer o candidato do PT. Jobim, como Aécio, entram nessa parada como bois de piranha. Ou pensam que o PT irá apoiar alguém que não pertença ao núcleo sindicalista do lulismo? Até hoje Lula e seus sequazes jamais deram ponto sem nó. São quase cinco anos de poder petista. Todos os órgãos públicos e empresas estatais estão completamente aparelhados. Recentemente, o governo conseguiu aprovar a legalização das centrais sindicais, reeditando o velho esquema varguista ao carrear dinheiro público, via imposto sindical tungado dos próprios trabalhadores, para financiar o peleguismo.Além disso, uma miríade de ONGs servem de duto por onde escoa o dinheiro público, lavado, para financiar os denominados movimentos sociais, como o MST e seus satélites, tipo Via Campesina e até mesmo a UNE.
Reparem que nessa hedionda tragédia de Congonhas não se ouviu um pronunciamento de pesar sequer dessas organizações satélites do petismo. Nem mesmo entidades igrejeiras, como a CNBB, foram capazes de emitir um só alento aos familiares dos mortos que até hoje vagam ao redor do IML em São Paulo. Isto demonstra, sem qualquer dúvida, que o poder do petismo continua monolítico, para não dizer assombroso. Ontem, navegando pelo Orkut encontrei diversas comunidades que defendem a cassação da licença da TV Globo! O Orkut tem hoje mais de 60 milhões de usuários! O que estou alinhando aqui são apenas alguns fatos públicos e notórios, mas suficientes para indicar que o poder lulopetista é avassalador e dá certeza de impunidade total aos seus asseclas. Na penumbra, sorrateiramente, o petismo vai formando um verdadeiro "exército". Até as próximas eleições serão oito anos ininterruptos de poder petista. Dá para imaginar a capilaridade que terá todo esse movimento. Isto pelo que se vê agora. Mas há o que não se vê!
Retomando as linhas iniciais no que tange à sucessão e os candidatos que estão postos, não resta dúvida que a oposição, ao que tudo indica, está caminhando diretamente para cair na esparrela lulista. Os dois candidatos mais fortes para dar combate a Lula e ao PT pertencem a um mesmo partido, o PSDB. Uma cisão entre Serra e Aécio selará o destino do Brasil, qual seja o de se transformar em mais uma república bolivariana. Enganam-se os que pensam como Nelson Jobim, que o PT entregará a rapadura para outro candidato que não pertença à etnia petralha. Jobim está sendo usado por Lula que, neste momento, necessita não de um Ministro da Defesa, mas de um jurista como trânsito nas altas esferas do judiciário e que também entenda de chicanas. Nisto, Lula tem razão. Não está atrás de nenhuma opção de candidatura. Ele precisa urgentemente de um bom advogado que o ajude a se safar de um acontecimento que lhe tira o sono e que pode ser fatal para a estratégia petista de poder. O resto que se dane, não é Lula?

PILOTOS E CIRURGIÕES

Fonte: http://www.diegocasagrande.com.br/index.php?do=Wm14aGRtOXlKVE5FWVhKMGFXZHZjeVV5Tm1sa0pUTkVNelF6TkRSTFFRPT1aeFAySg==
por Alfredo Guarischi
Publicado em 27/07/2007

Que paralelo pode ser traçado entre pilotos e cirurgiões? Pode ser traçado algum paralelo? Pilotos e cirurgiões erram, como qualquer ser humano, mas ambos são extremamente bem treinados e comprometidos em não errar. Cirurgiões, atualmente, não são condenados à morte ou mutilação quando erram, já que o código de Hamurábi que previa estas punições não é mais aplicado.Hoje é na base da lei do talião - com letras minúsculas mesmo. Diferentemente dos cirurgiões os pilotos continuam morrendo quando ocorrem graves desastres aéreos. É uma morte inerente à sua escolha de uma profissão de risco. Da mesma forma os cirurgiões podem ser contaminados por um vírus letal da hepatite C ou do HIV.
Os pilotos são obrigados a obter licença para voar cada tipo de avião. Um piloto de Boeing-777, só pode conduzir um Airbus após ser submetido a treinamento específico (teórico, simulador e prático, sob supervisão).Tenho inveja dos pilotos. Atualmente não consigo treinar novos cirurgiões, de modo tão sistemático e preciso. Faltam vagas para residência médica e não temos na medicina nada comparável aos atuais simuladores de vôo. Cirurgiões fazem cursos de reciclagem como os pilotos, mas apenas estes têm que renovar anualmente suas licenças .
Pilotos necessitam de equipes para operar seus aviões. Cirurgiões precisam de anestesistas, além de auxiliares médicos e não médicos no seu trabalho de levantar e pousar pacientes em segurança. Esta viagem-cirurgia, pode durar horas, sem descanso. Sempre necessita de um bom plano de vôo, de controladores e para-médicos que ganham pouco, mas sem os quais nada seria possível voar ou operar. Equipes são formadas e desfeitas em função de escalas. Cirurgiões ou pilotos poucas vezes conseguem escalar seu time, como nosso famoso técnico do voleibol. Independente das razões, Bernardinho tem e exerce sua autoridade, ao barrar o Ricardinho, recém-eleito o melhor jogador do último campeonato da liga mundial. Não conheço casos semelhantes em cirurgia. Em aviação talvez seja ainda mais improvável.
O material com que operamos ou voamos é um problema. São atualmente raros os cirurgiões proprietários de hospitais, assim como de pilotos donos de aeroportos ou grandes aviões. Todos (pilotos e cirurgiões), de um modo ou de outro, são assalariados direta ou indiretamente, empregados de companhias ou trabalham para governos e planos de saúde. Alguns poucos cirurgiões conseguem comprar certos equipamentos (tesouras ou pinças), mas não mesas de cirurgia, focos ou potentes microscópicos. Meus amigos pilotos conseguem apenas comprar óculos escuros, pois o restante é fornecido pelo patrão.
A população vai continuar necessitando de cirurgia e de cirurgiões, assim como de vôos e de pilotos. Infelizmente, erros vão continuar acontecendo, mormente com a incrementação de novas tecnologias e busca da superação de desafios. É necessário que se aprenda com os erros (raramente existirá uma causa isolada), de modo a saber como evitá-los. Se isto for impossível poderemos identificá-los e superá-los. A imensa maioria dos erros tem causas primárias longe da ponta - onde ocorreu o fato. O planejamento e conhecimento de sistemas complexos são fundamentais para que a execução de tarefas possa atingir o objetivo pretendido - operar ou voar com segurança.Acidentes raramente ocorrem por um erro simples . É necessário que haja a combinação do erro latente (previsível) associada ao erro ativo (falha), com a quebra dos mecanismos de defesa (segurança e plano de contingência). Não podemos modificar a condição humana (falibilidade), mas podemos modificar (de forma urgente e contínua) suas condições de trabalho (segurança).Em qualquer processo que envolva a ação de seres humanos estes podem falhar. Se esta ação final é seguida de um efeito indesejado, diagnostica-se como falha humana.
Cirurgiões e pilotos podem falhar, mas na maioria das vezes não é por imperícia, imprudência ou negligência - erro. O sistema atual é que é inseguro. Está errado. A ação final - na ponta – é confundida como causa-raiz do efeito indesejado.É muito mais fácil culpar pessoas, principalmente quando não são poderosas, encontram-se emocionalmente vitimadas ou estão mortas, do que organizações ou sistemas gerenciais que, embora anacrônicos, são poderosos. Possivelmente a causa-raiz do acidente da TAM, em Congonhas foi decorrente de falhas graves sistêmicas e evitáveis se houvesse atenção às normas vigentes de segurança de vôo.

MORREMOS TODOS

por Diogo Mainardi
28.07, 11h17


Quando é que derrubaremos Lula?

A posse do ministro da Defesa, na última quarta-feira, foi o espetáculo mais indecoroso da história política brasileira. Lula ria. Nelson Jobim ria. Tarso Genro ria. Guido Mantega ria. Celso Amorim ria. Juniti Saito ria. Marco Aurélio Garcia ria. Por algum motivo, até mesmo o demitido Waldir Pires ria. Lula provavelmente se regozijava por ter se safado, segundo seus cálculos, de mais uma fria. No caso, os 200 mortos da tragédia da TAM. Ele repetiu despudoradamente, com sua risada, o gesto de escárnio feito por Marco Aurélio Garcia em seu gabinete, no Palácio do Planalto. Que espécie de gente tripudia sobre 200 mortos? Como alguém pode atingir esse grau de pusilanimidade? Se um dos militares presentes naquela sala batesse vigorosamente as botas, Lula e seus ministros com certeza sairiam em disparada, aos gritos, acotovelando-se e pisoteando-se no carpete verde. Eles só sabem cuidar da própria pele e do próprio bolso. Dane-se todo o resto.

Ninguém derrubará Lula. O que vai acontecer conosco é muito pior: um progressivo desmoronamento da sociedade. É sempre complicado tentar apontar o momento em que um país se perde irremediavelmente. Mas, se eu fosse apostar, apostaria todas as fichas que ele ocorreu na posse de Nelson Jobim, na quarta-feira passada. Entre uma tirada de bar e outra, Lula profanou os 200 corpos dando a entender que o desastre poderia servir pelo menos para diminuir as filas da ponte aérea. Uma sociedade resiste a um governo corrupto. Ela resiste também a um presidente incapaz. O que elimina qualquer possibilidade de convívio é o triunfo dessa boçalidade predatória que caracteriza Lula e sua gente. Eles cercaram a cidadela e ficaram esperando que nossas reservas de civilidade acabassem. Elas acabaram. Estamos desarmados e rendidos.

O Brasil é um buraco. Nunca fizemos algo que prestasse. Mas até outro dia ainda tínhamos uma vaga idéia de como nos comportar. E era essa vaga idéia que mantinha o país andando. Andando de lado, mas andando. Uma das regras de comportamento que a gente seguia era manter certa dose de compostura diante da dor pela morte de alguém. Lula violou essa regra. Depois de violá-la, tripudiou mais uma vez, ensinando aos familiares dos mortos do desastre da TAM que "é preciso que a gente tenha momentos de descontração para tornar a vida menos sofrível". Um dia Lula morrerá. Mas nós já teremos morrido antes dele.

Vôo 3054 da TAM

sexta-feira, 27 de julho de 2007

DEPOIMENTO DE MÃE QUE PERDEU DOIS FILHOS NO ACIDENTE




No dia da tragédia do Airbus, entre as imagens que mais emocionaram o país estavam as de Cristiane Bueno, a mãe filmada no momento em que recebia a notícia da morte dos dois filhos no acidente. Na sua primeira entrevista, ela falou à repórter Carla Modena.

Cristiane ainda tem dificuldade em acreditar no que aconteceu. “Parece que não caiu a minha ficha ainda. Você vê no jornal o nome dos seus filhos, para a missa deles... e fala, ‘não, não é isso!’”.

Na hora do acidente, Cristiane estava com o ex-marido em Congonhas esperando os filhos, que vinham da casa do avô, em Porto Alegre. “A gente fez aqueles cartazes Rafaela, com ‘Miss Rafaela’ e Mr. Caio’, e estava esperando”, ela lembra. “Começou a desembarcar um pessoal que tinha chegado da sala de desembarque desesperados, dizendo que um avião tinha caído".

Os bombeiros já trabalhavam no prédio onde o avião bateu quando veio a confirmação: era o vôo 3054. O desespero de Cristiane se tornou um símbolo da dor de outras mães.

Caio tinha 12 anos, e Rafaela, 17. Foi o piercing, adereço comum na adolescência, que ajudou na identificação do corpo da filha. Rafaela já estava na faculdade, mas a imagem que Cristiane guarda dos filhos é a de duas crianças. “São meus filhinhos ainda. Pra mim eles eram tudo. A coisa que eu mais fiz de perfeito no mundo, morreu, só isso!”, ela diz, emocionada.

Apesar da comoção, Cristiane teme que a tragédia caia no esquecimento. “Não vamos fechar a porta de casa e falar ‘pô, que tragédia, né?’, e no dia seguinte fazer como se nada tivesse acontecido. Porque aconteceu”. Ela faz um apelo: “A gente tem que parar, parar de reclamar, parar de chorar, parar de se lamentar e dar um basta. Eu não sei como: protestando, manifestando, criando. Tem que haver algum modo, algum jeito de nós nos tornarmos verdadeiros cidadãos, em tudo”.

Para os governantes, ela pede respeito e atitude: “Eu queria transferir o meu luto, a minha vergonha, para as famílias daqueles que deviam honrar os cargos deles com atitudes, com soluções, com respostas”.



PARA CRISTIANE


É Cristiane, há pessoas demais nesse país que não honram os cargos que ocupam - nem as profissões que exercem, nem ao juramento profissional que tenham feito, nem a Constituição Brasileira. Essa gente, com certeza, não passará a fazê-lo nem depois do seu apelo, nem depois da morte de seus dois queridos filhos e de outros tantos filhos, pais, avós, maridos, esposas e amigos queridos. É simples, Cristiane, eles não sabem o que é honra.

Mas, felizmente, ainda há os brasileiros que a exercitem. E são estas pessoas que devem tirar dos cargos que ocupem aqueles que lá não deveriam estar, justamente pela sua falta de competência, não só técnico-profissional, mas também e principalmente emocional - o que lhes qualifica como pessoas de mau caráter, de péssima índole, covardes, aproveitadores, gananciosos, burros por natureza e desespiritualizados.


Como disse o mandatário desta terra que já foi uma nação, em tardio pronunciamento em cadeia nacional, direcionado aos brasileiros e aos parentes das vítimas do acidente com o Airbus da TAM, "Nada que se possa fazer trará de volta aqueles que amamos e perdemos... Sei que não há palavras para confortá-los nesta hora..." Foram as únicas verdades que pronunciou. Realmente nada trará de volta à vida aqueles que morreram na tragédia e também não são palavras que confortarão aos que neste mundo ficaram com as dores da perda e da saudades de seus entes queridos.


Mas há muito o que fazer e o que falar para que a morte não seja vista em tantos casos como simples contingência da vida humana. Não só as mortes destes brasileiros, mas de tantos outros milhares que têm morrido por este país, vítimas de acidentes nas estradas mal feitas e esburacadas, nos hospitais sem recursos e sem atendimento, nas ruas - vitimadas pela violência urbana-, nos asilos e nos casebres onde desfalecem os aposentados cuja renda não permite que sobrevivam condignamente, nos confins desta terra onde centenas de pessoas definham por não receberem indenizações que lhes são devidas pelos governos que se sucedem. E são tantos os mortos...


A vida realmente não tem preço. Mas a morte de milhares de pessoas deve sim ser avaliada e sobre seus causadores deve também se impôr a justiça - a dos homens, que seja pelo menos. E muitos, muitos brasileiros já desejam que esta conta seja feita. Já passou da hora!

Devolução de medalhas

Fonte: Jornal da Globo
Quinta-feira, 26 de Julho de 2007

Pilotos e pessoas ligadas a aviação não gostaram de ver diretores da Anac receberem a condecoração Santos Dumont três dias depois do pior acidente aéreo da história do Brasil. Alguns deles querem devolver suas medalhas.

Foi com espanto que o ex-comandante Milton Comerlato, condecorado com a medalha mérito Santos Dumont, reagiu ao saber da notícia. “Eu não quis ver, não olhei na televisão. E achei que foi uma agressão muito grande aos 200 mortos”, disse o ex-piloto.

Na semana passada, o presidente da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), Milton Zuanazzi, a vice-presidente da agência, Denise Abreu, e dois diretores receberam a premiação em Brasília.

Vinte anos atrás, Milton Comerlato, que na época trabalhava na maior companhia aérea do pais, ganhava a mesma distinção, por nunca ter se envolvido num acidente. “Eu recebi por mérito, não por política”, ele diz. Apesar da resignação, Milton pretende deixar a medalha de herança para os quatro filhos aviadores.

A medalha do mérito Santos Dumont foi criada em 1956 pelo então presidente Juscelino Kubischeck para premiar militares, cidadãos brasileiros e estrangeiros que tenham prestado serviços relevantes à Aeronáutica.

O presidente da Associacão Nacional em Defesa dos Diretores dos Passageiros do Transporte aéreo foi um dos primeiros a anunciar a devolução da medalha. Desde 1988, Claudio Candiotta exibe seu diploma no escritório de trabalho.

Ele está nos Estados Unidos e, por telefone, disse que na volta ao Brasil vai reunir outros colegas para também devolver a premiação que receberam. “Eu considerei uma falta de respeito à memória das vítimas, às famílias das vítimas e à própria história de Santos Dumont. Eu considero que perdeu o sentido, desvirtuaram o espírito dessa medalha”, disse Candiotta.

O piloto Nelson Riet Correa mandou nesta quinta-feira um ofício ao comandante da Aeronáutica se desfazendo da distinção, que ele considerava um reconhecimento pelas 25 mil horas de vôo pilotando Boiengs no Brasil e na Europa.

Eu tenho certeza que os brasileiros näo apóiam essa condecoração, vendo o que se está se vendo aí, esse desastre aéreo em todas as áreas. É uma forma de protestar”, acredita Correa.





EMPRESÁRIO GAÚCHO VAI DEVOLVER MEDALHA SANTOS DUMONT
Fonte: Zero Hora/RS
Por: HUMBERTO TREZZI


O empresário gaúcho Cláudio Candiota Filho, 56 anos, quer expressar com um gesto forte sua solidariedade às 199 vítimas do desastre com o avião da TAM. Vai devolver a Medalha do Mérito Santos-Dumont, recebida em 1989 da Aeronáutica, por serviços prestados à aviação com sua empresa de turismo. Candiota, que também é piloto civil, ficou revoltado ao saber que a mesma honraria foi dispensada a diretores da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) na semana passada, três dias depois da tragédia em São Paulo.


Nesta entrevista, concedida ao jornal Zero Hora, desde os EUA, onde participa da tradicional feira de aviação de Oshkosh (Wisconsin), o empresário fala sobre o caos aéreo que motivou sua decisão.

Zero Hora - Por que o senhor decidiu devolver a medalha Santos-Dumont?

Cláudio Candiota Filho - Recebi a Medalha Mérito Santos-Dumont em 1989. Fiquei sabendo que os diretores da Anac haviam recebido a Medalha Santos-Dumont quando estava saindo do velório de Paulo Rogério Amoretti Souza, ex-presidente do Inter, a quem conhecia há muitos anos. Um coronel da FAB telefonou para meu celular e, estarrecido, me contou. De imediato, veio a lembrança das famílias das vítimas da tragédia da Gol (em setembro de 2006) reclamando do tratamento inadequado que haviam recebido da diretora da Anac, Denise Abreu. As famílias pediram ao governo o afastamento da Anac.

ZH - O senhor entende que os diretores não merecem a distinção concedida pela Aeronáutica?

Candiota Filho - A medalha é concedida para quem tem relevantes serviços prestados à Aeronáutica. Ao que me consta, nenhum dos diretores da Anac agraciados na semana passada tem relevantes serviços prestados à Aeronáutica.

ZH - Quando o senhor pretende devolver a medalha?

Candiota Filho - Pretendo devolvê-la, formalmente, quando retornar ao Brasil. Os agraciados da Anac foram, no mínimo, omissos diante das duas tragédias.

ZH - O senhor acredita que pode acontecer um movimento de devolução coletiva?

Candiota Filho - Olha, ouvi falar que o comandante Nelson Riet Corrêa pretende devolver a dele. Vou devolver a minha medalha porque minha consciência e dever ético assim determinam. É o mínimo que poderia fazer em respeito à memória das vítimas da Gol e da TAM. Todas são vítimas da omissão e da má gestão da Anac e, por óbvio, de seus diretores. Quanto às medalhas, o importante é descobrir quem mandou concedê-las. Alguém mandou. Seja lá quem for que decidiu dar a medalha, teve uma idéia péssima em um momento pior ainda.

ZH - A quem o senhor atribui a culpa pelo caos aéreo?

Candiota Filho - A aviação, tanto civil, quanto militar, não sobrevive sem hierarquia, disciplina e profissionalismo. Sem esse tripé, o sistema desaba. Esses três requisitos foram retirados com a entrada da Anac e do Ministério da Defesa. Acabou o sistema. Quando o DAC foi extirpado do Sistema de Aviação Civil e, em seu lugar, colocado um corpo estranho, chamado Anac, ocorreu a falência múltipla de órgãos combinada com rejeição.

ZH - Quais as conseqüências disso?

Candiota Filho - Nesse período desapareceu a maior e mais tradicional empresa aérea do Brasil, a Varig. Até aí, não seria nada, se não tivessem sido cancelados 200 vôos por dia. A qualidade dos serviços aéreos caiu vertiginosamente, os preços subiram estratosfericamente, instalou-se o caos nos aeroportos. Um colapso total do sistema de transporte aéreo brasileiro, algo jamais visto desde Santos-Dumont. Milhões de usuários foram e continuam sendo lesados. E, para culminar, os dois maiores desastres aéreos da história do Brasil, com quase 400 mortos.

ZH - Qual seria a saída?

Candiota Filho - Diante de todo esse descalabro, só há uma solução:recolocar profissionais para, primeiro, administrar o caos e sair dele. Aqueles que geraram o caos nos aeroportos não têm a menor condição de administrá-lo e encontrar uma saída, até porque não sabem o que fazer. Assim, sobra apenas uma alternativa: extinguir a Anac, revogando a lei que a criou e restabelecer o antigo DAC, subordinado ao extinto Ministério da Aeronáutica. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá de optar entre sacrificar cargos ou sacrificar vidas.

ZH - Como o senhor vê a nomeação de Nelson Jobim como ministro da Defesa?

Candiota Filho - Que eu saiba, o Nelson Jobim é um excelente advogado, o que não significa que entenda alguma coisa de aviação, transporte aéreo e defesa. O caos aéreo vai continuar.