quinta-feira, 16 de agosto de 2007

EU NÃO FUMO CHARUTO!

Christina Fontenelle

DENISE ABREU, uma das diretoras da ANAC, disse, ontem, 16 de agosto, em depoimento à CPI do Apagão do Senado, que não fuma charuto. Disse não, leu. É, a diretora trouxe sua defesa das acusações que lhe foram feitas na semana passada pelo ex-presidente da Infraero, Brigadeiro J.C. Pereira, de que ela queria tirar da empresa o controle do setor de cargas de Congonhas e de Viracopos para transferi-lo para Ribeirão Preto, onde Denise teria ligações com empresários, em um negócio que movimentaria R$ 400 milhões por ano. Aproveitou, então, a senhora Denise, para rebater a fama de degustadora de charutos.

A frase da defesa da diretora da Anac ficou meio sem sentido. Segundo Denise, ela não fuma cahruto, mas foi o pai da noiva quem teria oferecido charutos baianos aos convidados, para comemorar o casamento de sua filha. Pergunta dos brasileiros: E o kiko? (tradução: "e o que eu tenho a ver com isso?"). Ora, o fato de o pai da noiva ter oferecido a "iguaria" não serve de argumento para provar que a senhora Denise não fume charutos.

Mas, ela justifica. Então, por uma questão de educação, ao que parece, a senhora Denise fumou o charuto.

Mas, ela não fuma charuto.

Na foto eternizada como símbolo do desprezo das autoridades da Anac pelos passageiros amontoados nos aeroportos de todo o país, por causa do motim dos controladores de voo, somente a senhora Denise está visivelmente a tragar um charuto.

Mas, ela não fuma charuto.

Denise Abreu pode realmente não ter o hábito de fumar charutos, mas, naquele dia, o dia do caos aeroportuário nacional, ela fumou. E a fama de "Denise + charuto" não está vinculada a se a diretora da Anac fuma ou não habitualmente charutos, cigarros ou o que quer que seja. Está diretamente relacionada ao fato de ela ter fumado um charuto especificamente naquele dia, enquanto milhares de brasileiros que pagam seu salário, entre outras mordomias, estavam desesperados pelos saguões dos aeroportos do país. É a atitude que causa indignação e não o charuto em si.


Atitude também é o que condenam as pessoas que cobram satisfações sobre o fato de funcionários da Anac terem tido passagens aéreas pagas pela Gol - empresa que está sob a fiscalização da agência. Denise Abreu justificou o fato dizendo que a Anac queria economizar dinheiro público? A quem a senhora diretora da Anac pensa que está falando? A um bando de crianças do Jardim de Infância? Fiscal de Imposto de Renda, então, para economizar dinheiro público, deveria ter todas as suas despesas pagas pelas empresas e pelas pessoas que fosse fiscalizar? Não há realmente limites para o cinismo de uns e de outros...

Quanto à acusação que o Brigadeiro J.C. Pereira teria de ter confirmado na CPI, diante de Denise Abreu, ele amarelou...

Abaixo: três matérias publicadas na imprensa que servem de referencia para entender a acusação do Brigadeiro J.C Pereira à diretora da Anac Denise Abreu:


CPI investiga lobby da Tead para operar cargas em Ribeirão

Publicada em 07-08-2007
Fábio Gallacci / Da Agência Anhangüera / Cosmo Ribeirão Preto

A CPI do Apagão Aéreo do Senado Federal irá convocar nos próximos dias a diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Denise Abreu, e o ex-presidente da Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero), o brigadeiro José Carlos Pereira, exonerado ontem em Brasília. O objetivo é esclarecer as denúncias feitas no último final de semana por Pereira ao jornal carioca "O Globo". Segundo ele, Denise estaria supostamente atuando como lobista de uma empresa privada - a Terminais Aduaneiros do Brasil (Tead), onde uma pessoa chamada Carlos Ernesto Camargo foi apontada como sendo o administrador - para incentivar a transferência dos setores de cargas de Viracopos, em Campinas, e Congonhas, em São Paulo, para o Aeroporto Dr. Leite Lopes, em Ribeirão Preto (SP).

O senador Demóstenes Torres (DEM-GO), relator da CPI do Senado, afirmou à reportagem da Agência Anhangüera de Notícias (AAN) que existe até mesmo a possibilidade de haver uma acareação entre os dois. De acordo com a reportagem de O Globo, se a suposta transferência dos setores de carga fosse efetivada resultaria em uma movimentação de R$ 400 milhões por ano.Em nota oficial, a diretora da Anac afirmou que vai processar Pereira e afirmou que "o aeroporto de Ribeirão Preto opera vôos regulares de passageiros e é impossível transferir operações de cargueiros para este aeroporto, pois ele não detém infra-estrutura para esse tipo de operação".A assessoria de imprensa da Anac ainda informou que o Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (Daesp), da Secretaria de Transportes, encaminhou à Agência o Plano Diretor Aeroportuário do terminal de Ribeirão Preto para análise e aprovação.

Neste plano, segundo a assessoria, estava previsto a construção de um terminal de carga e a necessidade de ampliação da pista para 3,5 mil metros para, aí sim, viabilizar a operação de cargueiros.A nota da Anac esclarece ainda que a sua Superintendência de Infra-Estrutura Aeroportuária submeteu o assunto à Diretoria Colegiada - em reunião datada de 5 de junho -, que tratou da configuração final do aeroporto de Ribeirão Preto. Os integrantes da diretoria, por sua vez, destacaram a necessidade de adequação do Plano elaborado pelo Daesp, impondo limitações especialmente quanto a cargas e tipos de aeronaves cargueiras. "Ou seja, nem mesmo o Plano Diretor foi, até a presente data, aprovado. Não existe nenhum tipo de ligação do empresário (Camargo) vencedor da licitação com a Anac", reforça a assessoria da Agência na nota oficial.A empresa Tead venceu, em 2003, uma licitação para construção de um terminal aduaneiro no aeroporto de Ribeirão Preto, que começaria a partir da internacionalização do local.

Este processo está sendo barrado até o momento por questões ambientais e a mobilização de grupos contrários à ampliação da estrutura. Uma das críticas que estes grupos fazem está relacionada ao fato do aeroporto estar muito próximo de grandes concentrações urbanas. MaracutaiaTambém ouvido pela AAN, o promotor de Meio Ambiente de Ribeirão Preto, Marcelo Pedroso Goulart, um ferrenho da ampliação do aeroporto da cidade, acredita que não exista a menor possibilidade estrutural, ambiental e geográfica do terminal ser ampliado e internacionalizado. "Qualquer leigo em questões ambientais e de aviação percebe que isso é absurdo. Seria muito mais fácil construir um novo aeroporto em outro local", disse Goulart. "O próprio Ministério Público já sugeriu quatro outros pontos mais adequados para a construção da nova estrutura. São dois em Ribeirão, um em Sertãozinho e outro em Jardinópolis", afirmou o promotor.Goulart alertou ainda que não existe um estudo devidamente aprovado sobre o impacto ambiental da ampliação do Dr. Leite Lopes. "Sem essa aprovação, a ampliação não sai. Em 2005, um estudo foi apresentado, mas opiniões técnicas apontaram que o documento era uma farsa", lembrou o promotor.

Para Goulart, a insistência pela ampliação do aeroporto de Ribeirão Preto pode ser muito mais motivada por grandes interesses políticos do que necessariamente pela busca do desenvolvimento da região. Segundo ele, as últimas denúncias vindas de Brasília podem ser a confirmação disso. "Essas notícias (da suposta ligação da diretora da Anac com o empresário da Tead) vêm confirmar as suspeitas por trás da pressão para a internacionalização do aeroporto. Existe uma maracutaia nisso", disse o promotor.

Obra do terminal aduaneiro deve começar em dois meses

Fonte: Gazeta Mercantil – SP,
29/07/2004,
Transporte & Logística
Edson Álvares da Costa

A Tead Terminais Aduaneiros do Brasil finalmente deve iniciar, dentro de dois meses, as obras do primeiro terminal alfandegado privado de carga aérea do País, no Aeroporto Leite Lopes, em Ribeirão Preto. A informação é de Rubel Thomas, diretor-superintendente da Tead e ex-presidente da Varig.A Tead, uma empresa do Grupo CEC - Carlos Ernesto Campos, venceu licitação feita pelo governo estadual e assinou contrato para construção do terminal em 7 de junho de 2003. Mas uma liminar concedida pela Justiça à Promotoria do Meio Ambiente impediu o início das obras. "Conseguimos convencer a promotoria de que o terminal não causará impacto ambiental e agora vamos começar as obras.

O terminal deverá ser inaugurado em março do ano que vem", disse Rubel Thomas.Serão investidos US$ 3,5 milhões no terminal, metade em obras e metade em equipamentos para carregamento e descarregamento dos aviões e operação do terminal. Segundo Rubel Thomas, a estação aduaneira terá área total de 4 mil metros quadrados e uma câmara frigorífica de 450 metros quadrados."Ribeirão Preto é o coração de uma região com mais de 80 cidades e 4 milhões de habitantes. Mas também vamos atender empresas do Centro-Oeste e do Triângulo Mineiro. É mais perto do que mandar ou buscar carga em São Paulo ou Campinas", disse Rubel Thomas.Segundo o executivo, toda carga ao redor de 1 mil quilos compensa ser transportada de avião. "O transporte é mais barato do que por navio."

Segundo ele, as principais cargas de exportação no terminal deverão ser produtos farmacêuticos, calçados, frutas e equipamentos médicos-odontológicos. Na importação, espera-se peças de reposição, medicamentos e equipamentos de alta tecnologia.Inicialmente, Thomas espera movimentar um ou dois vôos diários. O Leite Lopes está apto a receber aviões como o 727-200, para 25 toneladas, e o 757, para 40 toneladas. "O terminal vai trazer bastante motivação às empresas da região", acredita.Balanço do semestreO aeroporto Leite Lopes movimentou, de janeiro a junho deste ano, 137,3 mil passageiros e 485,6 toneladas de carga, o que representa crescimentos de 6,8% e 79%, respectivamente, em relação ao mesmo período do ano anterior. O aeroporto é administrado pelo Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (Daesp), que opera outros 29 terminais no estado.Segundo Thomas, o Daesp está licitando os estudos de impacto ambiental visando selecionar empresa para desenhar um novo plano diretor para o Leite Lopes.

Nessa segunda etapa, deverá ser construído um novo terminal para passageiros.Além da Tead, o Grupo CEC controla a Construtora CEC e sua coligada Unitec, a trading Target Trade, o centro de distribuição Timelog e a estação aduaneira Silotec, que responde pela logística de 20% dos 80 mil contêineres marítimos movimentados no porto de Vitória (ES).

Aeroporto de Ribeirão Preto fecha para reforma
5/31/2006
Fonte: Gazeta Mercantil

O Aeroporto Leite Lopes, de Ribeirão Preto, será interditado para obras, por um período de 90 dias, a partir de amanha. TAM, Gol, Pantanal, OceanAir e BRA passarão a operar no Aeroporto Bartolomeu de Gusmão, em Araraquara, 83 quilômetros ao sul. Já a Total e a Passaredo optaram pelo Aeroporto Lund Presetto, onde já operam, em Franca, 89 quilômetros a nordeste de Ribeirão Preto. Os três aeroportos são administrados pelo Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (Daesp).

As obras no quarto maior terminal aéreo paulista foram licitadas pelo valor de R$ 33,6 milhões e incluem a total reconstrução da pista de pouso e decolagem, construída originalmente nos anos 50. As obras, sob responsabilidade da Encalso Construções Ltda., compreendem ainda a readequação da sinalização diurna e do balizamento noturno, bem como do sistema de pistas de acesso e pátio, segundo o Daesp.O Leite Lopes irá transferir boa parte de seu movimento, de 464,3 mil passageiros em 2005 (média de 38,7 mil por mês), para o pequeno aeroporto de Araraquara, cujo movimento não passou de 15 mil passageiros em todo o ano passado. Estima-se que o movimento em Araraquara saltará da média mensal de 1,2 mil passageiros para pelo menos 35 mil, causando um impacto econômico ainda não estimado pela prefeitura local. 

Aeroporto internacional

A expectativa sobre a transformação do aeroporto de Ribeirão Preto num terminal internacional de cargas - motivo de discussão há quase dez anos - é crescente com as obras de melhoria.

O projeto estadual, orçado pelo Daesp em R$ 96 milhões no momento, não saiu do papel por várias razões, desde problemas ambientais e de desapropriação de casas a critérios de viabilidade econômica.Agora, que o governo paulista, mais uma vez, se pronuncia favoravelmente à internacionalização do Leite Lopes, o obstáculo é, novamente, ambiental. O Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema) ainda precisa dar seu parecer final sobre o Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto do meio Ambiente (EIA-RIMA).Em meados de 2003, a Tead Terminais Aduaneiros do Brasil chegou a vencer licitação feita pelo governo estadual e anunciar investimento US$ 2 milhões na construção de um terminal alfandegado de cargas no Leite Lopes. Seria a primeira vez que uma empresa privada iria operar um terminal de carga aérea internacional no País, mas, até agora, o projeto da empresa também não saiu do papel.

Um comentário:

xandre disse...

Na festa está um pavoa.
Na CPI parece vestida como que para pedir sua canonização.

Não serve nem para doar órgão.